Idalina




Ela era lavadeira, cantadora

e fazia do coração grande

um altar como devota

zelosa de Nossa Senhora;

A criançada gostava

de ajudar a pendurar 

as roupas só para ouvir 

a saudosa Idalina cantar.


Ela era nordestina e irmã 

presente das vizinhas,

que oferecia sempre 

o melhor para alegrar,

Coragem naquela mulher 

tinha para esbanjar. 


Nunca esqueci do dia 

que ela pediu ao marido

colher côcos para uma 

surpresa nos preparar,

Os anos se passaram,

e nada da memória 

conseguiram apagar.


De um dia para o outro 

quando voltamos como 

de costume para ouvir

ela cantar enquanto 

as roupas ela lavava,

A gente também cantava

se importar com nada.


Era somente a gente 

naquele distante lugar,

não havia ninguém 

para da algazarra reclamar

e o tempo passava 

por nós sempre devagar.


Assim que terminou 

de lavar as roupas 

que não eram poucas,

Nos chamou até a sala,

vimos a mesa arrumada

com uma bela toalha 

e guardanapos rendados,

Como a realeza viesse 

ali conosco se sentar.


Ela pediu para esperar,

fez a criançada rezar,

E foi assim que não fui 

somente eu que provei 

o mais autêntico Manjar,

que deixou essa memória 

bonita para compartilhar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dança do Hemisfério Celestial Sul

Cambuí

Pitangas-pretas