Dieci Trentine




A cidadania afetiva, para muitos,

não se resume ao regresso

à Pátria ancestral e à liberdade

de ostentar um passaporte.

É a volta para casa, mesmo

que seja só uma viagem interior.

Só quem sabe o que significa

ainda ouve, mesmo inconsciente,

o murmúrio do Rio Ádige

cantando o outono da existência,

para depois cruzar o Atlântico

e virar um oceano de resiliência.


O isolamento, a fome, a pressão

do isolamento e os sons das execuções

vividos pelas "dieci trentine" presas

no Castello del Buonconsiglio;

a transferência para a Áustria,

para a desmobilização da resistência,

seguem ecoando inescapáveis,

ressoando profundamente no destino

mesmo por uns desconhecido.


Daqueles que seguem rindo

e fazendo pouco caso, ofereço

o meu cálice com dose de repúdio;

e se passarem na minha frente,

não oferecerei nenhum augúrio.


Porque sei bem do peso geracional

e me guio pela pluma de Luisa Zeni,

que enleva a memória em evidência,

para que ninguém nunca mais faça 

zombaria da necessidade de outrora: 

de um povo teve de viver na prática 

plenamente a sua lealdade e resistência

em nome do direito a vital sobrevivência.

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