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Mostrando postagens de junho, 2026

Manduiranas

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Com ancoragem nos efeitos de primazia e de recências, mesmo com ímpares contrastes, com jeito e sem nenhum alarido, manterei o fogo da paixão aceso com toda disposição. Se não for para contrariar o que dizem ser coisa de novela, ou o que só está escrito nos livros de romance, é melhor nem começar. Em ti quero me enlaçar, para nunca mais soltar, e sei que partilha de igual pensar. Baixo ao Hemisfério Austral, florescem as manduiranas no início do inverno junino. A chuva e a escuridão, trazidas pelo El Niño, não afetarão o nosso destino. Quando há o que é recíproco e a vontade de dar certo, não há o que se preocupar se existe alguém interferindo; e sim manter desejo vívido, cultivar para viver o amor, e eleger vê-lo sempre sorrindo.

Alecrim-do-campo

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A tua plenitude existencial provoca, infrene, a cobiça; Ver toda a tua beleza física plena, a minha fantasia atiça. A reverência e a exaltação tão queridas serão prestadas quando nas nossas mãos forem entregues as rédeas da inequívoca cumplicidade com intensidade e verdade.  Não é porque é Lua de Morango que ilumina o Alecrim-do-campo, Que estou de peito aberto revelando: é porque sinto que estou me apaixonando.

Os Trópicos

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Entre os nossos hemisférios, existem os dois trópicos; além da distância que desafia, habitar numa única aorta está escrito com intensidade fina. Por onde o Trópico de Câncer passa a imaginária linha, tu sabes que da Mata Atlântica sou a mais devotada filha, e a que te busca para ser a tua mais alta galhardia. O nosso mundo é grande, e para nós a única barreira que interessa é a indômita Grande Barreira de Corais; e o que não nos traz paz, somos capazes de deixar para trás.

Canela-sassafrás

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Na tua madrugada  surjo como galáxia, A sua atenção trago toda concentrada. Balança a ventania  a Canela-sassafrás, A aurora em sintonia  solene acompanha.  O aroma das flores  paira e aqui fica, e de mim não desliga. Trago o carinhoso  sopro de harmonia, paz, fé e amor para a sua vida.

Dilúculo da existência

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Nasci orgulhosamente  nesta terra austral, Não nego que carrego  na minha amorosa alma  de tudo um pouco das caravanas ancestrais:  as bibliotecas perdidas  e os percursos mais  antigos da Rota da Seda. Quando a tua alma gentil encontrou e roçou na minha, No dilúculo da existência, percebi que eu comecei  a ser realmente lida; Senti, sem dificuldades, que a gente se combina. Na doce viração entre a aurora matutina  e a aurora vespertina, passei a desejar fazer  parte da sua vida linda; E venho percebendo  que tens cobiçado a fazer  parte da minha vida, Há sinais claro que  somos, enfim, além da poesia.

Carqueja

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Juro, com sutil engenho, dos pés à cabeça, pôr os teus poros unidos aos meus, como quem une torcidas organizadas no mesmo estádio, onde o grande gáudio será, entre nós, o prazer de amar sem arrefecer. O prêmio do teu amor, não tenho dúvida: que ele me pertence do amanhecer ao anoitecer. E tu tens o meu pertencer solene nas tuas mãos com toda plenitude e o romântico querer. Com gentileza, flor e chá de carqueja que o meu amado avô me ensinou; Decidi testar águas  em versos para tocar o seu coração como ninguém jamais tocou: Estou pronta para o jogo  alto que nunca na vida  ninguém jamais jogou.

Banho de São João de Corumbá e Ladário

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O meu brio encontra o seu, ambos pantaneiros, concedidos pelo nosso Deus: vivemos tempos alvissareiros. Durante a descida dos andores, todos com beleza adornados, os corações batendo feito tambores ao som do cururu, todos animados. Com as mãos mergulhando São João no Rio Paraguai, eu de Corumbá e você de Ladário, o meu coração apaixonado, morando contigo lado a lado. Contigo não tem sido diferente: estamos morando um no outro, ainda protegidos de toda a gente, esperando o dia certo para anunciar  que viveremos só de amor imparavelmente.

As apostas dobrarão

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Noites de verão sob a Via Láctea, nos aproximarão. As ondas do mar os pés acariciarão, e as palmeiras nos reverenciarão. Nas tuas mãos macias e solares, estarei nos teus paradisíacos lugares, e você nos meus, nós em encaixes. Com água de coco e nossos beijos: as sedes cessarão. O amor e a paixão as apostas dobrarão.

E não tu!

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  Que não há alma? Existe a nossa - que é única. Insensatos! Eu a vi: é de luz...  Nos teus olhos - inequívoca. Com relação à minha luz:   (Assoma às tuas pupilas quando me olhas tu.)   Quem me disse foi o poeta Rubén Darío, e não tu! (As "Rimas XII" são dele e minhas.)

Silêncio

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O que pode ser melhor dito,  será bendito no silêncio. A ação é o condão do verbo em silêncio ocorrido.  Silêncio junto com você pode ser benquisto, Olhos nos olhos, amorosos, será doce e genuíno.  O silêncio acompanhado, pode ser muito expressivo.

Coração Intacto

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Todas as vezes que tentaram fazer o coração quebrado, Orgulho-me da intensa poesia ter feito o coração intacto, Fazendo dele preparado  para receber o seu maravilhado, e deixar para trás todo o passado. 

A Lapidação

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Na praça pública em exposição, Contigo no meu poético coração. Mesmo diante da tua silenciação, O tempo estático como  monumento feito de bronze: Traz para a poesia — a lapidação. 

Araçá-rosa

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O experimento mental e elegante, acopla sutilmente o mútuo gradiente à livre termodinâmica simplesmente. De tudo o que induz ao anfoterismo, reajustando os desejos às leis  que regem o Universo e o destino, porque sentimos de longe o caminho. Sem largar mão da primeira atração  do instante que nos conhecemos, para a nossa implacável preservação. Amar tem sido a decisão desde o momento que nos vimos, Como uma visão sem explicação  embaladora para o coração.  Tenho me visto sem cessar contigo  como tivéssemos antes vivido  a delicada florada do araçá-rosa  em alguma encosta do litoral. Se é poética alucinação, não sei, se for de verdade, que o amor  se torne lei universal e entre nós grei.

Itaúba

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Amar a sua melhor versão e a pior, e a sua versão que não conheço, e, mesmo assim, querer continuar. Porque em ti como eterna viajante, não pretendo nenhum pouco parar, mesmo nascendo diariamente. A tua existência está a convidar, por ela não tenho conseguido, não me permito sossegar, e nem pretendo jamais parar; mesmo quando não for tempo de itaúba em florescimento. Não precisarei criar subterfúgios, porque tua alma é feita de liberdade  de ave assim como a minha, Dos ruídos do mundo elegemos  o que é o melhor porque fica; sinto que o nosso dia se aproxima.  Viver para os cânones da poesia  não me causam empolgação, simplesmente tocar o seu coração  é a minha bonita obstinação, Sonho inspirar os amores eternos  que depois de nós dois virão.

Petúnias-nativas

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Não te quero como dependente, desejo-te como território livre, tão livre que escolha ficar ou ir, e que só possa morar o amor até quando pensar em desistir. Tal qual as petúnias-nativas nas encostas serranas do sul a escalar, e pelos campos de planalto a me espalhar, pouco a pouco, em ti tenho feito o meu lugar. O solstício de inverno dança hoje sobre o Hemisfério Celestial Sul, Rendo-te a sagração inaugural, por perceber a aproximação primal, é inexplicável sentir pairar o inevitável. Imparável diariamente tem sido ler os olhos e os detalhes bonitos, em todos tenho-me reconhecido, e em vez de sentir inquietação: sinto tudo muito mais tranquilo.

Swingueira

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A swingueira é filha do samba de roda do jeito que tu gosta, do samba duro de ritmo profundo  e das tradições afro-baianas nascidas além mar e em Salvador  sob a bênção de Nosso Senhor.  Tu me encontrou nela em passos rápidos,  entre os meus passos rebolados, E pegou na minha cintura e quase  me deu um ligeiro nos meus lábios. Agora, estamos prá valer apaixonados, se não fosse a Bahia e a swingueira  o que seria de nós e do amor? Se não tivéssemos por esta obra do destino  talvez não teria nos encontrado com tal fervor.

Pontes

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A minha América do Sul se tornou terra onde ninguém mais descansa, Que houve festança pela vitória e recebeu disparos intencionais de misantropia; Para fazer o povo esquecer  que é a alegria que traz vida.  Só sei que quase ninguém ultimamente está prestando atenção com o desenrolar da história na Bolívia, Ainda trago algo mantém  forte tudo para que faça que eu não desista.  Há quem destrua pontes de boa comunicação, E quando chegar a vez  da minha ponte ser destruída, Darei a total distância,  mudarei a direção, e optarei pela reconstrução; Porque não quero perder  os meus olhos dos seus e nem do céu.

Willka Kuti

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Olhar para o céu faz lembrar que os pés estão presos à terra. No Hemisfério Celestial Sul é chegado o solstício de inverno, e te habitar é o que mais quero. Do meu território para o seu, conhecer as rotas para habitar na tua pele tem sido mistério. Condor só voa com Condor, e juntos ganham o universo. O que é feminino e masculino estão com as suas oferendas sob a mesa, para reverenciar a Pachamama e o Tata Inti: é chegado o dia de Willka Kuti. Observar o tempo astronômico  faz com eu me semeie, regue cresça e crie raízes em você; sem absolutamente nada temer, faça noite ou dia, amar é viver.

Medalhinhas de Santo Antônio

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Encontrei várias vezes  medalhinhas de Santo Antônio das vezes que na Festa Junina  andei comendo bolo, Acho que estou sonhando, nunca havia imaginado  que iria encontrar você, O meu coração está batendo  forte e bem acelerado, Algo me diz que você  também está apaixonado.

Arrochadeira

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No ritmo da arrochadeira, que mistura caliente  de arrocha com swingueira, Você vai se encantar  com a minha maneira, E será todinho meu,  queira ou não queira.

Arrocha

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Um dia a gente vai se encontrar  para a Bahia vou te levar, Tenho certeza que você vai amar. Bem próximos, a gente vai dançar um bom arrocha para nunca  mais em outro alguém na vida pensar.

Barra Vento

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Seja na Capoeira, no Candomblé, ou até mesmo na Umbanda, o meu coração atende  ao toque do Barra Vento,  como fiel e protegida. Este é o meu sentimento: bater forte, como cada tambor  dos terreiro desta amada Pátria. Na primeira linha de Xangô, assumo-me herdeira do poetinha do Brasil, semeando esperança para ser, sempre, vencedora em qualquer demanda. Depois de toda tempestade, a bonança se anuncia, e o meu Oxalá sempre será o maior; só Ele é digno da confiança, de toda glória e do mais alto louvor.

Bracatinga

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Se for da minha vontade  as minhas onze artes, Encontrarão as suas onze artes, com positividade, criatividade,  e a sua suprema vontade  de querer ficar por liberdade. Sem dizer uma palavra, estamos trocando bagagens, risos, essências e raízes; Sem a necessidade de pedir, se formos par, sem dificuldades, saberemos bem por onde ir. Não nascemos para o convívio  ordinário com as subjetividades. Nascemos para contemplar o florescer da Bracatinga alimentando as abelhas nativas, e para desfrutar da companhia quando o amor vier permanecer  inteiramente na nossa vida.

Menina em flor

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Na infância plena do interior, faceira jogando bola de gude  no chão de terra batida brasileira. Com flor enfeitando cada orelha e brincando com as panelinhas com a alegria de toda a menina, até quando estava só, me divertia.  Na minha mão eu tinha o lápis, o caderninho de menina em flor, a inspiração, o tempo e o candor. Não foi ninguém que me ensinou, foi a poesia pura e simples  que me encontrou, encantou e comigo para sempre ficou. 

Prefiro escrever poesia

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Prefiro escrever  poesia mesmo do que escrever  o que penso, Porque se escrever o que penso, Não haverá mais  nada firme, e sim trêmulo. 

Quina-do-mato

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Agasalhar-me no teu peito e nos teus braços fortes, com intimidade e sinestesia, ser o principal motivo da tua verdadeira alegria; por tal sonho tenho sido totalmente absorvida. Tenho certeza que, neste sonho, não estou sozinha. Percebo, ainda, discretamente, a implacável sintonia fina: como Mercúrio, Júpiter e Vênus, cada qual com a Lua se alinha, e ainda estamos em junho, e sei que o mundo gira. É tempo de contemplar a florada da Quina-do-mato aqui em Santa Catarina, que com as suas flores parece um aglomerado estelar. Sei o que fazer com ela, caso um chá precisar; de igual jeito, sei o que fazer quando o amor nos arrebatar. [Por dentro, já está tudo arrumado para quando chegar: terás, nas mãos, o coração afetivamente educado para amar].

Romance Nacional

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Tenho te levado para viajar por cada herança cultural, agora sabes da flor nacional: é o nosso Ipê-amarelo, e da árvore nacional: o nosso raro Pau-brasil. A sua imagem na mente anda escrevendo detalhes, nossos ocultos nos lábios, com totais intensidades. Doce, se você soubesse o que imagino viria agora, sem nenhuma cerimônia, e sem pressa de ir embora para aprofundar a história. Porque manter as aparências não está na nossa previsão; crescem as vontades por mútua desarrumação. Cheios de amor e paixão, sem nenhuma distração, estamos construindo cenas por antecipação do nosso romance nacional.

Tempo de Cavalgação

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Permito-me enveredar contigo  sob o alinhamento da Lua e Vênus,  Bem distante de ser adicção, apenas sendo a voz do coração. Declamando alto em tom  de sedução em tempo de cavalgação  que de nós se aproxima o tempo de amor e toda a paixão.  A minha íntima direção é onde nasce a aurora matutina, Embora acorde um pouco antes  em companhia das Plêiades. Fazendo milhões de cenas  na imaginação onde o teu  como se derrama pelo meu e nos fundimos por tais luzes. Em grata retribuição sensorial banho-me nesta aurivolúpia, Desconfio que seja antecipação, que seja o tempo de anunciação.

Amor-agarrado

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Querer a sua versão original jamais será exigir demais a confortável versão indomável que te deixa realmente em paz; traz para mim o teu dom primaz, te respondei com o mais audaz. Vem, ensinar como é que se faz!  Depois que me conheceu, entrei e estou onde devo estar; em ti sou o caminho que o seu coração deseja se aninhar, com a inocência do começar, para juntos aprender a voar. Vem, não temo o cortejar!  Feito amor-agarrado em flor, sentir entre os teus abraços o seu aroma único e inequívoco; para viver o silêncio que dialoga com a dádiva que terei no seu peito, a referência total de fortaleza com a celebratória real de leveza. Porque o que está nos desígnios é mais do que sonhamos; confio que o meu aroma, minha voz poética e a cadência estão destinadas à pertença plena em transbordamento, e por imenso teu merecimento. ...é só questão de tempo!

Rasguei os manuais de sedução

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Rejeito qualquer euforia, quero calma e sintonia para calibrar o medidor real da nossa energia. Decidi além da rendição, e sem perceber rasguei  os manuais de sedução. A rotação e a translação  movimentaram o coração.  É intenção e companhia.

Passos concretos

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Durante a travessia encontrei  quem procurava com os olhos  atentos no meio da multidão, para tornar parte do coração.  Mantenho com toda doçura  a beleza da preparação  para nutrir pensamentos belos  para os caminhos serem libertos, e quem sabe unir universos? Tenho sonhado o tempo inteiro  com os meus dois olhos  amáveis, convictos e abertos, para dar passos concretos.

Camboatás floridos

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Os bailes das auroras do mundo encontram a vulnerabilidade escolhida para não desperdiçar nem por um segundo quando o tempo de amar chegar. Onde habitar na insensibilidade  e na ironia virou segunda pele para adornar a rotina, Escolhi habitar na rebeldia, e nadar contra as correntes, porque quero permanecer viva. Os jogos ainda não estão definidos, algo diz que seremos surpreendidos. Embora conversamos mesmo apenas pelos sinais percebidos; como se fôssemos velhos conhecidos. Neste junho com os camboatás floridos refazendo o chão que está mostrando a diferenciação trazendo benefícios melíferos, por causa de você a anunciar o Ano Novo,  devagarinho, e que me tem no coração.

O Banquete

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Não preciso de passaporte, porque para você, anjo meu,  jamais serei estrangeira, O amor é a bandeira, e para ele não há receita. Mas há um interminável  banquete sobre a mesa, e não é apenas um poema. 

Chá de Mulungu

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Cultivar com constância romântica tudo o que une e é de elegância; aprender a lidar, lado a lado, com as senhas da pele e do charme; ser laço e nó que ninguém desate. Nas tuas mãos ser fogo para brincar, aquecer o chá de mulungu e o necessário para o tempo nunca apagar; nas tuas mãos entregar o poder e deste gesto profundo me orgulhar. Possuir a tua existência por dentro, ser a existência cativa sem regresso e sem pressa por reconhecimento, do sussurro à mútua leitura ótica, como falantes do idioma do encantamento.   Sem hora para começar e sem pensar, todo o lugar será sempre o lugar, porque pertencer foi escolhido como lar, e nele encontrar razões para voar, pousar, descansar e jamais pensar dele ir.

Peixe experiente

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Quando a tua pele solar unir-se à minha lunar, como doce maldição, irei nos braços embalar contínua e implacável... ​No mar de amor, colada ao teu coração  que pensava que ia brincar, Sussurrarei elogios: ​— Os ais favoritos teus que sempre serão advindos do coração e da alma unidos aos meus... ​Porque sou um mistério que hemisfério nenhum desvendará, E como um peixe experiente, sei enfrentar tempestades em alto mar. ​Assim, os teus suspiros serão capturados pelos meus, Desse amor feito de laços infinitos... convictos não iremos escapar.

Jacatirão-açú

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Não nego que penso com atrevimento, de delíquios em delíquios mantenho  a chama acessa à tua espera que  sei que acontecerá no tempo certo.  O que você busca é o que mais desejo com o coração, a alma e o pensamento  afetivamente educados para o cortejo  e a sã obediência às ordens do amor. Além de junho ​de Jacatirão-açú em flor em Santa Catarina com fortuna melífera, deixo nas tuas mãos o que nos destina. Porque a tua existência inteira fascina, hipnotiza, escreve me molda com poesia,  e sei que em mim a tua busca se afina.

Suinãs

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Embalar-te com a minha venustidade  pelos caminhos antecipados pela pele. A tua atlética e bonita masculinidade com fogo que o ser com inteireza derrete. Na tua tez está impresso o mapa da mina.  Com os olhos fechado encontrarei fácil  com os sentidos e por onde se caminha; és feito de volúpia e rara malha aurífera. Em escalada total incorporar-nos como imãs  percorrendo a Serra Catarinense para apreciar  o sol e a chuva beijando os cachos das suinãs. Não querer mais nada nessa vida do que ser  moldados pela paz e serenidade do amor ter nos encontrado, e assim viver desarmados.

Pau da Bandeira de Santo Antônio

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 Somos os últimos românticos.  Cultivamos o melhor do amor, e a terra se ajusta à nossa escolha. Não temos pressa, porque a viagem  foi escolhida pelo lado de dentro, o endereço é a unidade do sentimento. Por me querer, tens a total capacidade  de fazer o carregamento do Pau da Bandeira, e de hastear a Bandeira de Santo Antônio, porque Barbalha já conhece a minha existência. Mas mesmo assim, nós temos calma.  A paciência molda a fortaleza, e nós temos  a certeza do envolvimento, do comando da conexão e da nossa absoluta convicção.  A palavra boa não faz enfeites na boca, e sim no coração: amar é a nossa decisão.

Disponibilidade

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O tempo é um ativo que busco, sem adereços usar o dom divino, Sem querer ser pretensiosa; jamais na vida o desperdiço, para a posteridade tenho escrito. ​Da Paineira-rosa tenho a estatura: O que pode levar distante a ternura, nunca começa bem, logo não insisto. O que ilude não convém porque confunde, porque quero o que derrama e funde. ​Quem é poeta sabe ler gente, que são como água e azeite; O romance e o drama sempre serão dissonantes, paulatinamente. ​A minha liberdade só encontra, com cumplicidade outra liberdade — E com o que é de verdade — Porque se fez arrumada por dentro para resistir a qualquer tempestade. ​Indisponibilidade é porta blindada, que não foi feita para ser forçada pela virtude e disponibilidade; Disponibilidade não é fachada: é o caminho aberto e áureo. ​Disponibilidade é encontro. Se não existe como rumo novo, não deve ser como caça ao tesouro; Porque é o sol que sempre nasce para quem realmente entendeu o jogo.

Nunca terei mesmo

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No mesmo fogo quero que entre comigo, Com paixão, mistério e conexão, evoco ser o seu destino, Para uns a Copa do Mundo começa com a festa inaugural, para mim ela só começa  quando o time da minha  Nação entra em campo, por isso tenho razões  para esperar-te tanto.  Em matéria de amar, para mim não é diferente, Como escrevo poesia  falar de amor para mim é fácil, mesmo que encontrar  o amor verdadeiro seja feito encontrar agulha no palheiro neste mundo de gente difícil. Mas para o amor acontecer, é preciso que a gente  deixe que entre realmente, e faça em nós o que  tem que fazer do amanhecer  ao anoitecer como deve ser. Por saber que você existe, e por você ser a personificação  de cada impulso selvagem, Entreguei pistas e dez vezes  mais sem dizer uma só palavra,  decidida ser o teu paraíso, e que não haja mais a próxima; mesmo que leve tempo, porque pacto com o relógio  eu nunca terei mesmo.

Não declamo. Não escrevo.

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Não declamo poemas. Escrevo sobre a Amazônia, e é ela quem me declama. Não declamo poemas. Escrevo sobre o Cerrado, e é ele quem me declama. Não declamo poemas. Escrevo sobre Caatinga, e é ela quem me declama. Não declamo poemas. Escrevo sobre a Mata Atlântica, e é ela quem me declama. Não declamo poemas. Escrevo sobre o Pantanal, e é ele quem me declama. Não declamo poemas. Escrevo sobre o Pampa, e é ele quem me declama. Não escrevo sobre o amor, Escrevo sobre a tua existência  que é chama e me incendeia.

Guabirobas-brancas

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Feita para as coisas do sol e do amor, assim sou inveteradamente. Busco por tudo o que é mais inspirador, como a florada das guabirobas-brancas, para não perder os frutos perfeitos e sei que são para mim simplesmente, por todos os caminhos que dão mil jeitos. Que eu gostaria ter o calor de alguém, não nego de jeito nenhum, evidentemente... Mas para viver verdadeiramente, e não apenas num único Dia dos Namorados.  Se estiver realmente escrito por Deus, que seja inteiro e intenso, sinceramente. Porque tenho orgulho de tudo o que carrego nas minhas veias, e sustento poeticamente. Estamos em junho onde o inverno se achega, aqui em Rodeio terá Festa de Santo Antônio, mas não vou pagar nem fazer promessa. Prefiro entre as flores adorando os teus olhos,  e fazendo o impronunciável sem pressa.

Orquídeas Cymbidium

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Tenho atitude afrodisíaca de sobra, não me levo por nenhuma onda, não permito-me invadir, e nem ser invadida, Não quero iludir, nem permito ser iludida: sempre que faltar amor, coloco poesia. A calma não tem a ver com fraqueza, e sim, a paciência da espera por você que a vida não me trouxe ainda; Se não for espontaneamente, não permaneço nenhum dia; viver mais um Dia dos Namorados à sua espera não me desanima.  Se é para fazer parte de ti, que seja o amor lei, grei, festa e poema, sob qualquer coisa que aconteça; O peso que a maioria não aguenta, sabendo dividir, vira academia, assim se é um para o outro a alegria. Sempre que entre nós silêncio houver, que não haja o que temer, e sim tudo o que o coração se inspire em acolher. Não somos tentativa, e sim o próprio padrão, para você ser meu homem, e eu sua mulher; porque mesmo perto do inverno, nada esfria.   Sem permissão, a gente se pertence, privilégio para o mútuo desfrute, sem precisar jamais que a gente lute, com conv...

Castiçal-imperador

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  O tempo é aliado para aquele que tem direção para escolher e honrar quem merece caminhar lado a lado, e receber o amor como legado.  Para amar tão devagarinho que cada suspiro venha se integrar à pele, fazendo a sua presença ser beijada como  se o mundo estivesse dando o último adeus, e inteiramente amada todos os dias de tal jeito como se o mundo  estivesse sendo criado novamente por Deus. Olho embevecida com a certeza de ser e ter encontrado quem eu procurava, para serenar e incendiar inteiramente  sem doer as expectativas românticas em águas totalmente claras e atlânticas.  Manifesto querer-te como quem encontra um templo num paraíso perdido. Sem permissão, pularei etapas, mergulharei sem ver o fundo e me entregarei na tua imensidão: sem dificuldades assumo o seu coração.  Meu desejo por você é silencioso, queima tão cheio de fogo e mesmo assim me faz tão completamente segura, por perceber que és a minha casa e fortuna, com direito a florada do ca...

Renascer

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Renascer para mim é em algum lugar  encontrar você, para começar a viver: com a melhor arte. 

Marcha sozinha

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Não é a primeira vez que pedi para você aprender a voltar os teus olhos para o céu austral de ponta a ponta no continente. Eles querem que percamos o interesse pela gente para sempre. Com as mãos eu pego a conjunção de Vênus, Júpiter e da aurora matutina. Daqui a pouco vai ter jogo da Copa do Mundo, enquanto a Bolívia marcha sozinha, difamada, torturada e esquecida pela rua, ultrapassando até memória bíblica, mas vivendo o seu autêntico deserto. Há um jogo imundo que ninguém sairá ileso por covardia da tentativa de fazer vista grossa, Não perceberam que estamos atravessando independente da direção e da bandeira, a fase mais perigosa da travessia goste ou não, queira ou não queira. Por causa da anomia alheia, cheguei até a jurar que nunca mais iria escrever poesia política, Não por falta de empatia ou coisa parecida, mas por cansaço de ver que o poder vampiriza a última gota de sangue, e por ser difícil buscar quem realmente com a vida se envolve e de fato se alia. Como calar sufoca, at...

Sálvias escarlates

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Quero tudo ao mesmo tempo sincronicamente e sinfonicamente. Por ambição requintada inspirar, e dar os mais amorosos suspiros, E, sobretudo, ler os versos contidos nas linhas da tua íris misteriosa: as tradições românticas dos povos. Envolvida, o meu corpo inteiro treme e a boca saliva como se estivesse diante de uma vitrine de doces, só de pensar na sua mão deslizando serena e forte na minha cintura. Tudo isso é mais do que o suficiente para me enlouquecer o dia todo, sobre aquilo que sou capaz de te orgulhar em público e bagunçar quando tivermos o nosso paraíso particular, com um canteiro de sálvias escarlates, para receber uma grinalda entrelaçada pelas tuas mãos habilidosas quando chegar a florada para me enfeitar. Querer sentir que sou o território do alfa ao ômega — a sua propriedade, o seu melhor assunto e a sua liberdade; Tudo o que excita, livra e fascina, por ser a mais feminina, a mais viciante, a mais segura e a mais alucinante. Em cavalgação orientada, devagar, quando sem t...

O Beija-flor e a Caliandra

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Irretratável, coloco-me à mostra: sem timidez, como uma artista de rua que se expõe diante de ti em praça pública, onde és o único pedestre e interesse que com gentil presença permeia hipnótico de uma indescritível maneira.  O mundo não me tem dito mais nada. Até agora vivi entre os calendários e os relógios — até descobrir  por antecipação que há poemários em a serem traduzidos e lidos  sob todas as luzes e ângulos. Irretocável e irrefreável, trazes-me perto do pomo inexorável  dos teus fascinantes lábios, Quero eu te apresentar os meus  lábios e também os astrolábios. Faço a evocação à sua força  e a sua serenidade porque o que importa é o ápice além zênite  e a curva onde alcança o nadir  desde que se encontrem em seu poder; sob as formas alquímica e de obra-prima para nos labirintos da sedução e do prazer,  entrarmos em alinhamento e na sintonia do beija-flor que com a caliandra se alinha.

Pressa de te pertencer

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Pressa de te pertencer  assumo que tenho, Ao ponto de vir sussurrando  o melhor desejo de fazer o tempo parar aqui em Rodeio.  Para onde me levar as estrelas certamente  na sua companhia contar, e com gestos confessar. Quando o dia chegar  a existência da pressa não vou nem mais lembrar, e você também não;  O mundo será obrigado a parar, e um nos braços do outro  irá docemente sossegar e morar.

Garapeira

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Imperceptivelmente, em estado de genuflexão, com sensual litania, liguei os seus sensores nos meus sensores,  aqueci os nossos motores, rente à sua respiração. Ganhei o teu olhar fácil,  e não me preocupo  com os amores de outrora, com juventude ou beleza; A rota é segura e a entrega é perigosa, e a melhor parte com sutileza foi graças à coincidência. Sem modéstia, sou a primeira  sob a sombra da garapeira  que apresentou a melhor versão  que não tinha ideia que existia. Depois de mim, a tua vida não  será nunca mais a mesma. Só de me ler já está imaginar, como será a cada instante os dias dedicados a cativar. Na rua ou quando a porta se fecha, sei que estou a te acompanhar. Porque sou a tua favorita leitura que respira o seu divino aroma, tem a sua mão na minha cintura, e estamos prestes de romper a redoma.