Sálvias escarlates




Quero tudo ao mesmo tempo

sincronicamente e sinfonicamente.

Por ambição requintada inspirar,

e dar os mais amorosos suspiros,

E, sobretudo, ler os versos contidos

nas linhas da tua íris misteriosa:

as tradições românticas dos povos.


Envolvida, o meu corpo inteiro

treme e a boca saliva como

se estivesse diante de uma vitrine de doces,

só de pensar na sua mão deslizando

serena e forte na minha cintura.


Tudo isso é mais do que o suficiente

para me enlouquecer o dia todo,

sobre aquilo que sou capaz de te orgulhar

em público e bagunçar quando

tivermos o nosso paraíso particular,

com um canteiro de sálvias escarlates,

para receber uma grinalda entrelaçada

pelas tuas mãos habilidosas quando

chegar a florada para me enfeitar.


Querer sentir que sou o território

do alfa ao ômega — a sua propriedade,

o seu melhor assunto e a sua liberdade;

Tudo o que excita, livra e fascina,

por ser a mais feminina, a mais viciante,

a mais segura e a mais alucinante.


Em cavalgação orientada, devagar,

quando sem testemunhas você se enredar

nos meus cabelos e a gente se encaixar,

do teu jeito favorito me reivindicar

com delicadeza, delícia e firmeza:

ninguém vai nos distrair ou segurar,

viveremos sob a lei da nossa natureza.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Prisioneiro Infinito: Muhammad Rahim

Guglielmo Oberdan

Pitangas-pretas