Castanha-da-guiana
Carrego em mim a oculta Manman Dilo que se insinua, deixando o pente à vista no rochedo Arrouague, com toda a poesia e malícia, sendo sagrada e festiva. Sem desviar de ti, durante a colheita da castanha-da-guiana, bem ali, à beira do rio Iracoubo, deixo a pista — como reza a tradição — para que por nada me resista, e o desejo cresça e persista. És o homem escolhido para encontrar o pente. O desejável porvir depende de um bom acordo, somente entre a gente, sobre o que se sente. Aparecerei ousadamente nos encontros amorosos marcados à luz de certas luas, para me enveredar com todas as doces manias tuas, como mulher real e dos sonhos. E, quando estiveres ausente, habitarei permanentemente em ti, do despertar ao adormecer, para ser o presente perene de um jeito que me embale no coração, imparavelmente.