Favorita loucura




A brutalidade do cotidiano

o instruiu para manter 

o estado de alerta constante,

e sobretudo, para responder 

sempre com um novo ataque;

o desastre interno foi desfeito. 


Ele se desaprendeu que viver 

pode ser sereno e belo,

de perto e por dentro 

viu que pode ser intenso,

doce, sublime e terno. 


Ao redor tudo não tem 

mais o mesmo sentido,

desde que me fiz o destino; 

não é mais endereço 

pensar em viver sozinho.


O hábito de viver em estado 

de sítio foi pouco a pouco 

dissolvido porque não 

consegue mais viver sem 

estar conectado comigo,

por estar viciado na minha brandura, 

desejando em ser a favorita loucura.

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