Veneração

 



Fui encontrada pelo teu olhar

nas estepes do acaso.

Nutrindo com naturalidade

a liberdade

de ave peregrina que me cerca

com potente pensamento.

Com teu jeito de caçador,

ao meu lado pousaste com amor.


Como tulipa selvagem,

espalhei-me imparável,

sem pedir permissão.

Criei raízes no teu coração.

Não vou, nem preciso ir,

porque tenho direção,

o tempo como aliado

e a irresistível devoção

que me tens tocado.


Por isso, sem nenhuma pressa,

porque já estou dentro

como a ilustre habitante 

da glória do teu sentimento. 


Sempre que for necessário,

para que em mim encontres

o genuíno abrigo paradisíaco.

De corpo e alma em fruição diária,

apaixonado, te orgulhes

de ter me encontrado

e digas, orgulhoso, para ti mesmo:


— Pertenço à que soube, como ninguém,

o valor de ter capturado meu coração.

Conquistei a merecedora de veneração.



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