Do coração e frutos de juçara




Da Mata Atlântica à Amazônia,

ter tudo e mais um pouco:

do coração e frutos de juçara,

que nasceu para alimentar,

e merece sempre ser preservada.


Juçara bonita e tão rara,

que além das gentes sustenta

tucanos, jacus, jacutingas,

e os versos deste poema.


Juçara esquecida e tão cara,

que além das gentes sustenta

sabiás, periquitos, maritacas,

e cujas folhas são capazes

de cobrir com beleza as casas.


Juçara magnífica e tão rara,

que além de alimentar as vistas,

sustenta macacos-prego, cotias,

esquilos, e que aos músicos

emprestara ritmo e inspiração

para mais de uma latina canção.


Da Mata Atlântica à Amazônia,

que alimenta mais do que sabemos,

e está deixando de existir para todos:

para os catetos, tatus, capivaras e antas,

e daqui a pouco até para as esperanças!


O interesse no futuro, percebi que não existe,

e pergunto sem resposta neste quase luto:

— Será que é de fato o que queremos?

Chegamos no ponto de vivemos ou vivemos.

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