Ler silenciosamente




Romperam o silêncio o galo cantando,

os passarinhos no meio da mata,

e o sino da Igreja Matriz São Francisco,

com a sua forte e contagiante badalada,

chamando a nossa vontade indomada.


A neblina repousando com o seu véu

de fada bem no meio da madrugada,

acordando lenta neste silêncio em Rodeio

dos jogos de poder e dos circos de horrores,

dos ruídos e das cortinas de fumaça.


Não se esqueça jamais de que aberrações

são criadas para rotular negativamente:

fraturar as sociedades, justificar tutelas

para desviar o foco do que realmente importa,

secar oceanos e acabar com florestas.


O que é de poesia e da sinuosidade

do Médio Vale do Itajaí dialoga por mim,

e, de certa forma, também por ti;

não podemos falar demais,

nós podemos dialogar com sonhos,

e ler silenciosamente lábios e olhos.

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