Voz das Cunhãs

 



Na voz das cunhãs, sou a reverberação

por tontura e falta de respiração.

Sou o poema-denúncia com passos

de todos os bois por vocação.


Pela Amazônia profunda e recôndita,

contra todos os tipos de incêndios:

jamais esqueço que no Norte também

são todos meus irmãos e brasileiros.


Por isso jamais posso virar o rosto,

não posso fingir que sinto desgosto

e negar para ninguém que há sufoco.


Posso ser tudo, só não posso agradar;

e sempre que o peito de quem quer

esteja a queimar porque está faltando ar.

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